
A EW.com tem uma nova entrevista com o actor Daniel Radcliffe onde ele fala sobre Deathly Hallows. Podes ler a entrevista já traduzida abaixo, mas tem em atenção de que esta entrevista contém Spoilers. Não leias se não leste o livro!
***SPOILERS***
Houve uma fotografia que circulou esta semana, contigo a agarrares uma cópia de Deathly Hallows...
"Oh, sim. Penso que foi provavelmente no Lord's Cricket Ground. Que foi um grande dia. Essa não era por acaso a minha cópia. Um rapaz pediu-me para eu o autografar e claro, alguém tirou uma foto. Parecia que eu estava prestes a começar a ler. Portanto esse tornou-se o momento em que o "Harry Potter" começou a ler."
Quando é que começaste mesmo a lê-lo?
"Eu por acaso escrevi na capa do meu livro, a hora exacta em que comecei a lê-lo. Acho que foi ás 9:30 da noite no dia 22 de Julho que foi um dia antes do meu aniversário. Li dois capítulos nesse dia, que não foi muito, claro. Cerca de 30 páginas. Depois não li durante dois dias. Comecei outra vez no dia 24 e 25, e durante esses dois dias parece que eu devorei completamente o livro. Li 350 páginas num dia."
O que é te surpreendeu ou te chocou mais?
"A morte do Dobby. Ele sempre foi uma personagem cómica, de uma maneira ou de outra. E é isso que faz com isto seja tão poderoso, suponho. Tenho a certeza que a Jo tinha isto planeado já á muito tempo. Foi um dos pedaços que me deixou surpreendido. Outra das minhas teorias foi de que o Snape acabaria a ser uma espécie de herói trágico, e fiquei satisfeito de isso se ter concretizado. Essa ideia foi-me dada por um rapaz que me entrevistou, a algum tempo atrás. Ele disse que pensava que seria esse o caso. E eu pensei: Oh essa é muito boa."
Tu acabaste o Pricipe Misterioso a sentir que o Dumbledore era um tolo em confiar no Snape. Mas eu acabei Deathly Hallows a sentir que talvez o Snape não estivesse a ser bem servido, confiando no Dumbledore, e que o Dumbledore o usou. A JK Rowling usa tantas maneiras para mudar a imagem do Dumbledore no fim de Deathly Hallows. Ele tem ainda mais falhas do que esperavamos.
"Tenho que dizer que coincidiu com algumas das minhas previões [acerca do Dumbledore]. Pensei em algumas dessas coisas. Imaginei que veriamos um lado mais escuro do Dumbledore. Mas não sabia de que maneira. Fiquei completamente emocionado com tudo, toda a história."
Mais algumas partes que te surpreenderam do final?
"Há outra coisa que me confundiu durante algum tempo. Foi no guião do quarto filme, e nos livros também, claro. Quando practiquei a cena, era a cena em que o Harry tinha voltado do Labirinto, e o seu sangue tinha ido para o Voldemort e etc. Nunca consegui perceber uma frase do livro que dizia, Dumbledore olhou para a cicatriz no braço de Harry com - penso que a frase era algo como, Ele olhou-a com um triunfo nos seus olhos. Eu nunca percebi isso. Nunca percebi. Ninguém podia. Ninguém sabia. E claro, o que acabou por acontecer foi que o Dumbledore percebeu isso, tal como o Voldemort estar dentro do Harry, que agora o sangue do Harry estava dentro do Voldemort. E como tal, o sangue da Lily também estava dentro do Voldemort, o que obviamente é muito importante em Deathly Hallows. Isso explicou muito para mim."
Ficaste feiz de saber que todos sobreviveram, o Harry, o Ron e a Hermione?
"Por acaso fiquei. Por muito estranho que possa parecer, acho que foi a coisa mais corajosa que ela poderia ter feito. Estava convencido por dois anos de que o Harry ia morrer."
Porquê?
"Apenas senti que essa seria a única maneira com que ela poderia acabar. Mas depois, dentro dos últimos seis meses, subitamente ocorreu-me de que isso seria muito óbvio. Ela tinha de encontrar uma maneira esperta de o fazer. E fê-lo. No Epilogo, eu gostei muito do Ron e da Hermione."
De uma maneira, o Harry acaba por morrer, porque ele acredita que vai morrer. Existe uma passagem de muita solidão existencial e profunda no capítulo onde se prepara para se deixar matar.
"De uma maneira, o tempo entre o Harry saber que tem de morrer e morrer realmente -"
Ou acreditar que está a morrer...
"Essa altura não foi curta demais para ser indolor. Mas não houve tempo suficiente para ele encontrar a aceitação completa também. Ele luta com a aceitação. No fim, ele acaba por encontrar algo como a aceitação. Mas ele não se reconcilia necessariamente com a ideia. Ele sabe que tem que o fazer, mas ele ainda está assustado. Mal posso esperar por o filmar. Acho que a Jo me deu, mais uma vez, uma oportunidade incrivel de dar um passo em frente. Tenho esperança de que o possa fazer."
O que é que fizeste quando acabaste de ler Deathly Hallows?
"Eu estava no carro nessa altura. Eu tinha o meu iPod e estava a ouvir Sigur Rós. Não se os conhecem. São uma banda que fazem um tipo de música instrumental, mas é incrivel. Acho que eles são da Escandinávia. Têm um álbum com o nome de Takk...eu estava a ouvir e é muito, muito apropriado [para o fim de Deathly Hallows]. Estava a ouvir e lembro-me que me virei de toda a gente no carro, só para que eu pudesse estar no meu mundo pequeno, quando estava a ler. O que é que eu fiz quando acabei? Acho que só pousei o livro e continuei a ouvir a música. Olhei pela janela do carro, porque não conseguia pensar em mais nada para fazer. Ainda estou a lutar para o absorver. Não te deixa com pressa."
